jusbrasil.com.br
15 de Outubro de 2019
    Adicione tópicos

    Intolerância sem fronteiras

    Disputa por poder entre grupos interestaduais de neonazistas pode terminar em mortes, como a do mineiro assassinado no Paraná em 2009. Julgamento deve ser no 2º semestre

    A morte do estudante mineiro de direito Bernardo Dayrell Pedroso, de 24 anos, e de sua namorada, Renata Waechter Ferreira, de 21, motivada por disputas de grupos neonazistas brasileiros, deve ser julgada no segundo semestre, de acordo com o Ministério Público do Paraná. O crime ocorreu em 21 de abril de 2009, em Campina Grande do Sul (PR), depois que o casal foi emboscado ao sair de uma festa para comemorar os 120 anos do nascimento de Adolf Hitler. De acordo com as investigações da promotoria de Quatro Barras (PR), Dayrell era uma das lideranças nacionais e estava criando uma dissidência entre os carecas mineiros e paulistas. A morte dos dois jovens mostra o quão violentos esses grupos de supremacia branca podem ser quando ganham vulto. Um alerta, principalmente pelas ligações desse crime com a capital mineira, uma vez que o skinhead preso por apologia ao nazismo e formação de quadrilha em BH, Antônio Donato Baudson Peret, o Tim, de 25, era do mesmo grupo de Dayrell, de quem era vizinho no Bairro Santo Antônio. Donato está preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH, desde abril. Ontem, o Estado de Minas publicou reportagem sobre como as gangues travam guerra para dominar territórios, principalmente na Zona Sul de Belo Horizonte.

    Segundo o promotor do Tribunal do Júri paranaense, Octacílio Sacerdote, seis réus foram pronunciados pelo duplo homicídio. O líder, conforme a acusação, é o paulista Ricardo Barollo, mas foram acusados também o industriário Jairo Maciel Fischer, de Teutônia (RS), Rodrigo Mota, Gustavo Wendler, Rosana Almeida os três de Curitiba e João Guilherme Correa, de Pato Branco (SC). Barollo e Dayrell eram do mesmo grupo, que se chamava Neuland (Nova Terra, em alemão). Queriam separar o Brasil e para isso planejavam infiltrar gente sua entre políticos de alguns partidos, conta o promotor. De acordo com Sacerdote, chegaram a fazer viagens para firmar acordos políticos e importar armas do Uruguai e da Argentina, mas os planos de Dayrell de separar o grupo atrapalharam os planos de Barollo e, por isso, teria sido assassinado.

    Um dos ex-membros do grupo de Antônio Donato, o Rock Against Comunism (RAC), de 21, conta que quando o neonazista soube da morte de Dayrell ficou muito incomodado. Os dois eram amigos e vizinhos. Colocaram a culpa no Barollo e estavam até acertando uma forma de vingar o Dayrell, dizendo que tinham de pegar o Barollo, conta. A reportagem procurou a família de Bernardo Dayrell, que vive em Corinto, na Região Central, mas a mãe dele, Maria Alice Dayrell Pedroso, não foi encontrada para comentar sobre o crime. Uma prima do rapaz, Glória Dayrell, disse que a família está acompanhando o processo na Justiça e espera que os assassinos sejam condenados. Ela não comentou sobre as orientações nazistas do primo. (O Estado de Minas)

    0 Comentários

    Faça um comentário construtivo para esse documento.

    Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)