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23 de Setembro de 2017
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    Caso Acioli: ex-comandante é acusado de ficar com o espólio do tráfico

    Cabo da PM que confessou ter atirado em Patrícia Acioli diz que tenente-coronel Cláudio Oliveira recebia os "lucros" das apreensões feitas pelo GAT

    O tenente-coronel Cláudio Luiz Silva Oliveira, ex-comandante do 7º Batalhão da PM em São Gonçalo preso na terça-feira sob acusação de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli, é suspeito de ficar com o "espólio" do tráfico nas favelas onde a polícia realizava operações, de acodo com o depoimento de um cabo da PM que participou da execução da juíza e decidiu colaborar com a Justiça.

    O jornal O Globo teve acesso ao depoimento , de cerca de duas horas. Segundo o cabo, o assassinato foi planejado pelo tenente Daniel Benitez, que era homem de confiança de Cláudio Oliveira, e era responsável por receber a "caixinha" do tráfico das favelas do Salgueiro e da Coruja. O valor era pago a policiais do Grupamento de Apoio Tático (GAT) do 7º BPM. Sob o comando do tenente-coronel, os policiais do GAT faziam operações não registradas em favelas de São Gonçalo, com grandes apreensões de drogas e armas, que não eram apresentadas a delegacia - a equipe dividia os lucros do espólio.

    Ainda segundo o depoimento do cabo, Patrícia Acioli escapou de duas tentativas de assassinato montadas pelos policiais. Na primeira, ela se livrou da emboscada por não ter ido ao Fórum de São Gonçalo, e na segunda, dias antes da execução, um dos policiais envolvidos havia perdido o rastro da juíza.

    Na terça-feira, ao chegar à Divisão de Homicídios, ex-comandante negou as acusações. "Sou inocente e tenho certeza de que isso vai ficar provado", disse. Ao ser questionado se estava envolvido no assassinato da juíza, Oliveira respondeu que "de jeito nenhum".

    Esta é apenas a segunda vez que um comandante de uma patente tão alta da Polícia Militar é preso. Em 2006, o tenente-coronel Celso Lacerda Nogueira foi condenado a sete anos de prisão por corrupção e envolvimento com bicheiros. Segundo o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Manoel Rabêlo dos Santos, a prisão de um mandante de crise é um fato raro no Brasil. "Sempre chegamos aos executores, mas poucas vezes no Brasil se consegue chegar ao mandante", disse, ao jornal O Globo.

    Segundo o corregedor-geral da PM, Ronaldo Menezes, o ex-comandante e os policiais envolvidos no crime serão transferidos para o presídio de Bangu 8 - onde ficam os detentos com curso superior.

    O assassinato

    Patrícia Lourival Acioli, juíza da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, foi assassinada com 21 tiros de pistolas de calibres 40 e 45 dentro de seu carro na noite do dia 11 de agosto. Ela voltava para casa quando o carro foi interceptado na porta de sua residência em Piratininga. Segundo a perícia, oito dos 21 tiros foram disparados diretamente no vidro do motorista. (Estado de Minas)

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